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Vidas se cruzam em meados dos anos 70. Entre dramas e tragédias Cristian de Souza Augusto e Marcos Fernandes de Omena, ambos negros, são retratos de milhares de jovens espalhados pelas periferias do Brasil. Cresceram nas ruas do bairro Jd. Calux, periferia violenta de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Provaram desde cedo da desigualdade social, a falta de educação e desestrutura familiar. Tantas carências os levaram em busca do "sonho de consumo" e o enriquecimento rápido através da criminalidade. Mas como todos sabem, o crime não tem final feliz e novamente as vidas se cruzam na maior Casa de Detenção da América Latina (o extinto Carandiru).

Afro-X foi preso sobre o artigo penal 157 (assalto a mão armada) em 1994 e Dexter preso em 1998 sob o mesmo delito, ambos condenados a mais de 10 anos de reclusão. E mesmo diante do revés, vivendo no limite entre a vida e a morte na Casa de Detenção (o Carandiru), os dois amigos de infância iniciam um movimento que futuramente influenciaria o mundo do Rap nacional, uma legião de fãs e apoiadores. O ambiente hostil tornou-se o palco de histórias de superações, contrariando a lógica das estatísticas do sistema prisional brasileiro.

As experiências no cárcere os fizeram enxergar as reais intenções do sistema famigerado, criaram o antídoto através do resgate da autoestima, encontraram no Hip Hop a ferramenta para ampliar seus horizontes através de suas músicas. De dentro da detenção iniciaram suas jornadas, em 1999 a dupla era conhecida como “Linha de Frente” e até chegaram a fazer uma música de participação no CD do ex-traficante José Carlos dos Reis Encina, vulgo Escadinha. Como ninguém se recupera sozinho, contaram com o apoio da "Madrinha dos Presos", a atriz Sophia Bisilliat, idealizadora do projeto “Talentos Aprisionados”, uma iniciativa do sistema prisional do Estado de São Paulo. Vários músicos de peso do cenário nacional como Mano Brown e Edi Rock (Racionais MC's), DJ Hum (parceiro de Thaíde), Zé Gonzales (Planet Hemp) e MV Bill deram todo o suporte para que a mensagem de Afro-X e Dexter chegassem aos ouvidos de toda uma sociedade carente e desinformada sobre o sistema carcerário no Brasil. No ano de 1999 nasce o 509-E tornando-se porta-voz de todos aqueles que sofriam com a vida desumana dentro de um sistema prisional falido. No ano seguinte em 2000 lançam seu primeiro CD, chamado Provérbios 13, com 12 faixas e que até hoje é considerado um clássico, denunciando todas as injustiças sociais sofridas pela classe periférica. O número 509-E representa a cela onde residiam no pavilhão 7.

O grupo em pouco tempo, conquistou a confiança da população, rádios, revistas, emissoras de TVs, tabloides, autoridades e emplacou como um dos ícones do Hip Hop nacional, atingindo toda mídia de comunicação com a mensagem motivadora, relevante para o bem comum da sociedade, mostrando que o ser humano é capaz de regenerar-se e ressocializar-se na sociedade novamente. Entre 2000 e 2003 gravaram clipes, tiveram matérias em revistas, participaram de festivais e ganharam diversos prêmios importantes, o que aumentaria mais ainda a notoriedade do grupo. Porém, um detalhe importante: ambos os músicos continuavam presos. Foram cerca de 150 saídas da detenção para realizarem seus shows mesmo estando privados de suas liberdades, arrastando uma multidão por onde passavam. O grito de justiça ecoava Brasil afora.

 

O grupo estava no seu auge, tanta notoriedade, popularidade e elogiado pela crítica, tanto no contexto musical, social e cultural, levando uma mensagem de extrema importância; obviamente em algum momento iriam incomodar "alguém". Convocados por um debate na Rede Globo, a dupla ficou visada pelas autoridades por falarem e exporem a verdadeira realidade. Tornaram-se inimigos do sistema principalmente após a Mega Rebelião que resultou na extinção do Carandiru. Após esse episódio, o grupo foi proibido de fazer shows na rua. 

 

Afro-X conquistou sua liberdade e o 509-E lançou seu segundo e último trabalho, MMII DC (2002 Depois de Cristo)que foi muito aclamado pela crítica por ser um álbum vanguardista e pela qualidade do avanço musical que o grupo idealizou neste segundo trabalho. No ano seguinte em 2003, por senso comum dos dois integrantes, resolvem encerrar as atividades do 509-E temporariamente seguindo suas carreiras solo.

O propósito verdadeiro e um manifesto único, marcas registradas do 509-E, mantém-se de pé e, mesmo 20 anos depois, o seu LEGADO permanece VIVO fazendo história até os dias de hoje. 

DISCOGRAFIA 509-E

  • Provérbios 13 – 2000 – Atração Fonográfica (vendeu 90.000 cópias)

  • MMIID.C – 2002 – Atração Fonográfica (vendeu 70.000 cópias)

 

PREMIAÇÕES 509-E

  • Prêmio HUTUZ de Grupo Revelação do Ano (2000 - Rio de Janeiro);

  • Prêmio da TV Gazeta de melhor Vídeo Clipe com a música “Só Os Fortes” (2000 - Rio de Janeiro);

  • Indicação ao VMB MtV Brasil (2000 - São Paulo)

  • Música mais tocada do ano 2000: “Saudades Mil”, na rádio 105FM;

  • Prêmio HUTUZ de melhor Álbum da década com o grupo 509-E (2009 - Rio de Janeiro).

  • Prêmio do Público - Melhor Documentário e Menção Especial do Júri (“Entre a Luz e a Sombra”) - Festival de Cinemas e Culturas da América Latina de Biarritz (2009 - França)


FESTIVAIS

  • Millenium Rap no Anhembi (2001) 60 mil pessoas.

VÍDEO CLIPES 509-E

  • “TRIAGEM”

  • “SÓ OS FORTES”

  • “OITAVO ANJO”